O Turismo Náutico, originado do turismo desportivo, foca-se em atividades ligadas ao meio aquático e marítimo. Dividido entre lazer e competição, este setor abrange três grandes segmentos: cruzeiros, náutica de recreio e atividades marítimo-turísticas (Freitas, 2010).
Crescimento e Impacto Económico
De acordo com a TNEWS (2024), em 2023, “três em cada quatro viajantes que participam em atividades ao ar livre consideraram-nas essenciais para a sua viagem”, refletindo a crescente preferência por férias ligadas ao turismo de natureza, como passeios de barco e atividades terrestres (ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas). Esta tendência surge da mudança de comportamento das pessoas na gestão do tempo livre e no desejo de escapar da rotina.
Portugal continua a destacar-se internacionalmente no setor turístico, com aumentos em 2024 de 4% nas dormidas, 5,2% no número de hóspedes e 8,8% nas receitas turísticas em relação a 2023, atingindo 27,7 mil milhões de euros em receitas (Turismo de Portugal, 2025).
O turismo náutico acompanha esta evolução, impulsionado por grandes competições internacionais como, por exemplo, a The Ocean Race (anteriormente, Volvo Ocean Race) e a Tall Ships Races. Este segmento tem forte impacto nas economias locais das cidades costeiras, dinamizando hotéis, restaurantes e outros serviços turísticos.
Inovações Tecnológicas no Turismo Náutico
O avanço tecnológico tem impulsionado o turismo náutico, com o surgimento de plataformas de reservas e pagamentos online, melhorias na segurança e eficiência das embarcações, motores mais ecológicos, aplicações de navegação e sistemas de aluguer de barcos. Estas inovações têm atraído cada vez mais turistas que procuram opções de turismo mais sustentável e responsável.
Dentro da sua Estratégia 2027, o Turismo de Portugal definiu como prioridade transformar o país num Smart Destination, acelerando a inovação no turismo náutico através da gestão digital de recursos, da personalização da experiência turística e da adoção de tecnologias sustentáveis (Turismo de Portugal, 2017). Esta abordagem visa tornar o setor mais competitivo, eficiente e alinhado com as novas exigências dos viajantes.
Sustentabilidade no Setor Náutico
O turismo náutico tem vindo a adotar práticas mais sustentáveis, impulsionado pela crescente preocupação dos turistas em reduzir a sua pegada ecológica. Empresas investem em embarcações elétricas ou híbridas e promovem atividades alinhadas com diretrizes ambientais locais.
O Porto de Lisboa destacou-se como o primeiro do Sul da Europa a integrar a rede EPI, monitorizando emissões de navios para incentivar práticas mais responsáveis (Porto de Lisboa, 2025). Em Portugal, portos como Lisboa, Leixões e Matosinhos seguem práticas de “portos verdes” — conceito que promove a adoção de práticas ambientais nos portos, exigindo investimentos significativos para garantir maior competitividade sustentável (Vega-Muñoz, Salazar-Sepulveda, Espinosa-Cristia, & Sanhueza-Vergara, 2021).
A nível internacional, investigações propõem integrar fontes de energia renovável nos portos, como solar, eólica e energia das ondas (Vega-Muñoz et al., 2021). Estas iniciativas reforçam ainda mais a competitividade ambiental e impulsionam práticas mais responsáveis no turismo náutico, com exemplos como a plataforma Click&Boat, que promove o aluguer de embarcações de forma eficiente e sustentável.

A análise da distribuição real dos operadores marítimo-turísticos em Portugal revela uma concentração estratégica que acompanha não só a linha de costa, mas sobretudo a maturidade dos destinos turísticos e a tipologia de produto oferecido. Embora o registo geral de animação turística dê uma visão macro, é no segmento estritamente marítimo que observamos as maiores disparidades regionais (TravelBI, 2025).
O Algarve lidera com cerca de 42% da quota nacional de operadores marítimo-turísticos (RNAAT/TravelBI, 2025). Esta dominância justifica-se pela diversidade da oferta — desde o aluguer de embarcações de recreio em marinas como Vilamoura até aos passeios às grutas de Benagil —, sendo a região onde o mar é o ativo económico central do turismo (TravelBI, 2025).
Em segundo lugar, a Grande Lisboa concentra aproximadamente 28% dos operadores (RNAAT, 2025). Aqui, o mercado é marcado por uma forte componente de lifestyle e eventos, com uma densidade elevada de embarcações de pequeno e médio porte. Esta região beneficia da centralidade da capital e de um fluxo constante de turistas de city-break (TravelBI, 2025).
O Norte, impulsionado pelo Rio Douro, representa cerca de 12% dos operadores (APDL, 2025). É importante notar que, embora a percentagem de empresas seja inferior à de Lisboa ou Algarve, a densidade de passageiros é muito superior. Segundo os dados mais recentes, os 110 operadores registados na Via Navegável do Douro geraram um recorde de 1,37 milhões de passageiros em 2024 (APDL, 2025). Este modelo de negócio foca-se em embarcações de grande capacidade, como os navios-hotel, que servem maioritariamente mercados premium internacionais como os EUA, Reino Unido e Alemanha (APDL, 2025).
Nas Regiões Autónomas, a distribuição reflete a especialização geográfica e biológica:
- Madeira (~7%): Um mercado consolidado com operação anual, focado em cruzeiros de catamarã e observação de fauna marinha (RNAAT/TravelBI, 2025).
- Açores (~6%): Um nicho focado em turismo de natureza e sustentabilidade, com destaque para a observação de cetáceos (Governo Regional dos Açores/TravelBI, 2025).
As restantes regiões, incluindo o Centro e o Alentejo (~5%), apresentam potencial de crescimento em águas interiores, como o Alqueva, e em polos de natureza como Peniche e Setúbal. Esta distribuição confirma que o sucesso no setor depende da capacidade de atrair mercados externos, que já representam mais de 65% da procura nestas atividades (TravelBI, 2025).
Futuro e Perspetivas do Turismo Náutico
O turismo náutico em Portugal deverá continuar a crescer, impulsionado pela inovação tecnológica, pela sustentabilidade e pela diversificação das experiências. As novas motivações dos turistas após a pandemia Covid-19 também contribuíram para acelerar este desenvolvimento.
Apesar das boas perspetivas, é essencial garantir que as embarcações se tornem cada vez mais acessíveis e diversificadas, enfrentando desafios como a pressão sobre as infraestruturas costeiras e a necessidade de gestão sustentável dos recursos marinhos (Sardinha, 2025). A adoção de estratégias de turismo responsável e inteligente será crucial para proteger os ecossistemas e assegurar a qualidade de vida das comunidades locais.
Em Portugal, o turismo náutico é considerado um motor de dinamização turística, integrado na valorização do território definida pela Estratégia Turismo 2027 (Turismo de Portugal, 2017). Além disso, esta aposta visa melhorar as condições de navegabilidade, modernizar cais, criar plataformas de acostagem para embarcações de recreio e desenvolver infraestruturas fluviais no interior do país (Lopes, 2022).
No Rio Tejo, o futuro passará por equilibrar a valorização turística do estuário com a preservação dos ecossistemas sensíveis. As pressões climáticas e humanas exigirão uma gestão integrada, inovação sustentável nas atividades náuticas e políticas ambientais reforçadas para garantir a viabilidade do destino a longo prazo.

Em síntese, o turismo náutico tem evoluído de forma significativa, impulsionado pela inovação, sustentabilidade e procura por novas experiências. Para acompanhar este crescimento, as empresas devem investir em tecnologia e práticas responsáveis. Este setor tem um forte impacto na economia local e reforça a atratividade dos destinos costeiros.






